Em entrevista a Soraya Aggege, da CartaCapital, João Pedro Stedile, um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirma que a concentração de terras tem crescido e que a reforma agrária clássica realmente “saiu da agenda” nacional. Resta ao MST o caminho da “reforma agrária popular”, que defende um novo modelo de desenvolvimento agrícola, o agroecológico.
“Nós continuamos lutando”, afirma Stedile. “Aumentamos a nossa base. Mas agora mudou a correlação de forças políticas. Temos um inimigo mais poderoso. Agora, além do latifundiário, temos de enfrentar o modelo do agronegócio que representa uma aliança entre os grandes proprietários de terra, o capital estrangeiro e o capital financeiro. E some-se a eles o apoio ideológico irrestrito da grande mídia, que ataca permanentemente quando qualquer trabalhador se mobiliza.”
CartaCapital: Qual é a dimensão hoje da necessidade real de distribuição de terras no Brasil?
João Pedro Stedile: O Brasil é um dos países de maior concentração de propriedade da terra. Nos últimos anos, mesmo com o governo Lula seguiu concentrando. Os últimos dados do cadastro do Incra, de dezembro 2010, revelam que temos 66 mil fazendas classificadas como grandes propriedades improdutivas, que controlam 175 milhões de hectares. Pela Constituição e pela Lei Agrária Complementar, todas essas propriedades deveriam ser desapropriadas e distribuídas. Temos ao redor de 4 milhões de famílias de trabalhadores agrícolas sem terra que seriam os potenciais beneficiários.
CartaCapital: A distribuição de terras ainda é o fator mais importante da reforma agrária? Por quê?
JPS: A reforma agrária surgiu como política de governos da burguesia industrial no Hemisfério Norte, que, aplicando o princípio republicano de direitos iguais, democratizou a propriedade da terra. Com isso impulsionava o mercado interno para a indústria. Portanto, falar em reforma agrária é necessariamente democratizar o acesso, a posse e a propriedade da terra.
Sem isso, nunca haverá uma sociedade democrática, se os bens da natureza que não são frutos do trabalho, são concentrados em mãos de poucas pessoas. No Brasil, as grandes propriedades improdutivas são apenas 1,3%, mas controlam 40% de todas as terras. Veja que desapropriando apenas esses 1,3% teríamos uma fantástica mudança no campo.
CartaCapital: Ainda há um processo de reforma agrária no Brasil, no sentido de distribuição de terras?
JPS: Um programa de reforma agrária verdadeiro é quando as políticas de desapropriação de terras e democratização da propriedade conseguem impedir a concentração. Como disse, no Brasil a concentração só aumenta. O Censo de 2006 revelou que a concentração é muito maior agora do que em 1920, quando recém havíamos saído da escravidão.
O que existiu no Brasil, nas últimas décadas, foi a conjugação de duas políticas públicas: a colonização de terras na Amazônia, e isso não altera a estrutura da propriedade, e a política de assentamentos rurais para resolver conflitos sociais e políticos, isso quando há muita pressão por parte dos trabalhadores. Nos últimos anos conseguimos muitos assentamentos, com muita pressão social e um alto custo de sacrifício dos trabalhadores que às vezes pagaram com a vida. Mas isso não representa reforma agrária, no conceito clássico.
Além disso, no Brasil está havendo uma desnacionalização da propriedade da terra, acelerada ainda mais pela crise do capitalismo financeiro que fez com que os capitais especulativos corressem para investir em patrimônio da natureza no Brasil e se protegessem da crise. Estima-se que os capitais estrangeiros já controlam mais de 30 milhões de hectares, para produzir cana-de-açúcar, gado e soja. Só no setor sucroalcooleiro, controlam 33% de toda a terra e usinas.
CartaCapital: O que mudou de fato no processo de acesso à terra, desde que o PT assumiu o governo? Houve um aumento nos índices de concentração de terra ou uma redução?
JPS: Há uma lógica do funcionamento do capital na agricultura, que leva naturalmente à acumulação e à concentração da produção e da propriedade da terra. Para combater esse processo, o governo deveria ter uma política pública massiva. Por isso que, tanto no governo de FHC como no de Lula, a concentração da propriedade da terra continuou. E quanto maiores as taxas de lucro na agricultura, mais altos serão os preços da terra e maior será a concentração da propriedade.
CartaCapital: O que o MST acredita que realmente será feito no Brasil com relação à reforma agrária? Quais são as perspectivas do MST?
JPS: O programa de reforma agrária clássica, que a maioria dos países industrializados fizeram no Hemisfério Norte, democratizando a propriedade e criando mercado interno, depende de um projeto político de desenvolvimento nacional baseado na industrialização.
Isso saiu da agenda no Brasil. Não porque não seja um caminho, mas, sim, porque as burguesias industriais brasileiras nunca tiveram um projeto de desenvolvimento nacional. Então, esse tipo de reforma agrária está inviabilizado por elas, lamentavelmente. Cabe aos movimentos sociais do campo se organizarem e lutarem agora por um novo tipo de reforma agrária. Chamamos de reforma agrária popular. Além da desapropriação de grandes latifúndios improdutivos, é preciso reorganizar a produção agrícola, com um novo modelo.
Nós defendemos políticas que priorizem a produção de alimentos. Alimentos sadios, sem agrotóxicos. Uma combinação de distribuição de terras com agroindústrias nos assentamentos na forma cooperativa, voltada para o mercado interno. Implantando uma nova matriz tecnológica baseada nas técnicas agrícolas da agroecologia. E ainda a ampla democratização da educação, com a instalação de escolas em todos os níveis, em todo o meio rural.
Essa é nossa plataforma e a nossa perspectiva. Pode demorar algum tempo, mas esse será o futuro da agricultura em todo o mundo. O modelo do capital, do agronegócio é inviável, econômica, ambientalmente e do ponto de vista da saúde pública também, pois só produz lucro, usando muito veneno e degradando o meio ambiente.
CartaCapital: Não tem ocorrido mais pressão popular pela reforma agrária. O que mudou realmente no MST, nesta última década? O MST não consegue mais promover grandes mobilizações, limitando-se aos protestos pontuais, como o “abril vermelho” e os locais? Não falamos do pico de acampamentos após a posse de Lula, mas de maneira global.
JPS: O MST manteve a mesma média de 250 ocupações de fazendas por ano. Nós continuamos lutando. E aumentamos a nossa base. Mas agora mudou a correlação de forças políticas. Temos um inimigo mais poderoso. Agora, além do latifundiário temos de enfrentar o modelo do agronegócio que representa uma aliança entre os grandes proprietários de terra, o capital estrangeiro e o capital financeiro.
E some-se a eles o apoio ideológico irrestrito da grande mídia, que ataca permanentemente quando qualquer trabalhador se mobiliza. Foram contra até a mobilização dos bombeiros, imagine dos sem-terra. Então, é na opinião desta mídia empresarial e hipócrita, que o MST teria diminuído sua força, mas essa não é a realidade.
Por outro lado, se a reforma agrária depende agora de mudança de modelo de desenvolvimento, isso carece por sua vez de um amplo processo de mobilização popular no país, que ainda não está na agendo pelo refluxo do movimento de massas. Mas algum dia ele voltará, e voltará com força. Pois os problemas estruturais da sociedade brasileira estão aí, intocáveis e latentes.
CartaCapital: Quantos acampamentos e quantas famílias acampadas o MST mantém hoje? Esse número pode crescer, por exemplo, com a multiplicação dos grandes canteiros de obras, principalmente das hidrelétricas, por causa da especulação imobiliária? Ou deve diminuir à medida que a situação econômica do país melhora?
JPS: Nós temos ao redor de 60 mil famílias acampadas. E há outros 4 milhões que vivem no campo, que são pobres, e que poderiam ser beneficiados pela reforma agrária. E que de fato, agora, estão adormecidos pelo Bolsa Família, que favorece 4 milhões de famílias acampadas, e pela expansão do emprego na construção civil. Mas isso não é uma solução definitiva. É um programa necessário, mas apenas de emergência. A solução envolve programas estruturantes de emprego e renda.
CartaCapital: Qual relação o senhor vê entre o Programa Brasil sem Miséria e a reforma agrária?
JPS: O Programa Brasil sem Miséria ainda é uma colcha de retalhos de diversos programas de compensação social. Nenhum deles afeta a estrutura e a causa da pobreza. Por isso temos defendido com o governo diversas propostas. Há 14 milhões de miseráveis que podem ser atendidos por medidas emergenciais. E há outros 40 milhões que formam a turma do Bolsa Família.
Então o governo deveria fazer um amplo programa, ainda que localizado nas regiões mais carentes, de acesso à terra. Um programa de instalação de agroindústrias cooperativas, que criam emprego e renda. Potencializar a Conab, para que se transforme numa grande empresa compradora de todos os alimentos da agricultura familiar. Criar um mutirão nacional de alfabetização dos 14 milhões de adultos. Instalar escolas em todas as comunidades rurais, de ensino fundamental e escolas regionais, no meio rural de ensino médio, via IFETS ou outras escolas técnicas agrícolas. E ainda um amplo programa de reflorestamento, ampliando o Bolsa Verde para todos os 4 milhões de camponeses pobres.
CartaCapital: O MST pode vir a apoiar a criação de um partido político, por meio do Consulta Popular? A partidarização, enfim, pode ser um caminho para o MST ou parte dele?
JPS: Os partidos políticos no Brasil estão desgastados e possuem pouca coerência com programas de nação ou ideologias de classe. Em geral, são usados por pessoas e grupos, apenas como trampolim para cargos e recursos públicos. Mas a organização política na sociedade é fundamental para construir as mudanças. O MST é um movimento social, autônomo, com base social no meio rural e nas cidades. Nós devemos estimular como militantes sociais e cidadãos, a revitalização da prática política no país, mas o caminho do MST deve ser apenas a luta pela reforma agrária popular.
CartaCapital: Qual é o futuro para o modelo atual?
JPS: Acredito que, embora a expressão reforma agrária esteja desgastada e a imprensa burguesa nos faça uma campanha permanente contra a luta dos trabalhadores, pois é aí, onde ela tem hegemonia absoluta, que no futuro teremos grandes mudanças no modelo agrícola e na sociedade brasileira. Pois o modelo do capital de apenas organizar a produção agrícola para o lucro, agredindo o meio ambiente e usando venenos, é insustentável no longo prazo. E a sociedade, em geral, e a natureza estarão do nosso lado para realizar as mudanças estruturais necessárias.
Fonte: CartaCapital
sábado, 30 de julho de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Orquestra do Samba em Rio Claro, no próximo dia 31; entrada franca
Os moradores de Rio Claro terão oportunidade de apreciar a trajetória de um gênero musical que traz a identidade do Brasil: o samba. Com patrocínio da Brascabos, a Orquestra do Samba, com regência de João Bonano, se apresenta na cidade, no dia 31 de julho, domingo, às 19h30, no Teatro do Centro Cultural “Roberto Palmari”. A entrada é franca.
O show é uma realização da 3S Projetos em parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Rio Claro, apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio apoio do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura.
A Orquestra do Samba, formada por 23 músicos – 20 instrumentistas de sopros e três cantores (Claudinho Roberto, Hilda Costa e Estela) – é uma fusão dos tradicionais conjuntos Clarins de Roma, de Sumaré, e Pirajazz, de Piracicaba.
O repertório percorre a trajetória do gênero, com clássicos dos compositores Assis Valente, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Mário Lago, Dorival Caymmi, Noel Rosa, Cartola e Pixinguinha. Compositores que, definitivamente, escreveram, por música, a história da cultura brasileira. Os arranjos, especialmente concebidos para o show, são de Érica Marson e Marco Abreu.
Para o maestro João Bonano, também trompetista, o trabalho da Orquestra do Samba revisita o gênero e seus ícones de maneira peculiar: “É uma maneira de defender a cultura do país”.
Serviço
Data: 31 de julho, domingo
Horário: 19h30
Local: Teatro do Centro Cultural “Roberto Palmari (Rua Dois nº 2880, Rio Claro. SP)
Entrada Franca
Patrocínio: Brascabos
Realização: 3S Projetos e Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Rio Claro
Apoio: Governo do Estado de São Paulo – Proac
Assessoria de Imprensa
Maria Claudia Miguel (Cacau)
Telefone: (19) 9743-2142
O show é uma realização da 3S Projetos em parceria com a Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Rio Claro, apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio apoio do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura.
A Orquestra do Samba, formada por 23 músicos – 20 instrumentistas de sopros e três cantores (Claudinho Roberto, Hilda Costa e Estela) – é uma fusão dos tradicionais conjuntos Clarins de Roma, de Sumaré, e Pirajazz, de Piracicaba.
O repertório percorre a trajetória do gênero, com clássicos dos compositores Assis Valente, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Mário Lago, Dorival Caymmi, Noel Rosa, Cartola e Pixinguinha. Compositores que, definitivamente, escreveram, por música, a história da cultura brasileira. Os arranjos, especialmente concebidos para o show, são de Érica Marson e Marco Abreu.
Para o maestro João Bonano, também trompetista, o trabalho da Orquestra do Samba revisita o gênero e seus ícones de maneira peculiar: “É uma maneira de defender a cultura do país”.
Serviço
Data: 31 de julho, domingo
Horário: 19h30
Local: Teatro do Centro Cultural “Roberto Palmari (Rua Dois nº 2880, Rio Claro. SP)
Entrada Franca
Patrocínio: Brascabos
Realização: 3S Projetos e Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Rio Claro
Apoio: Governo do Estado de São Paulo – Proac
Assessoria de Imprensa
Maria Claudia Miguel (Cacau)
Telefone: (19) 9743-2142
terça-feira, 7 de junho de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Portal Vermelho e parceiros promovem debate sobre o Vietnã
O Portal Vermelho, a Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB, o Cebrapaz, a União da Juventude Socialista (UJS) e a Fundação Maurício Grabois promovem na próxima segunda-feira uma conferência sobre a construção do socialismo, o processo de renovação e o papel do Partido Comunista. A conferência será feita pelo embaixador do Vietnã no Brasil, Duong Nguyen Tuong.
Serviço:
Conferência O Vietnã Hoje – A política de renovação e o papel do Partido Comunista no socialismo.
Dia 4 de abril, às 18h30
Local – Auditório do Partido Comunuista do Brasil
Rua Rego Freitas, 192, 6º andar, São Paulo (SP)
Serviço:
Conferência O Vietnã Hoje – A política de renovação e o papel do Partido Comunista no socialismo.
Dia 4 de abril, às 18h30
Local – Auditório do Partido Comunuista do Brasil
Rua Rego Freitas, 192, 6º andar, São Paulo (SP)
Morre em São Paulo ex-vice-presidente José Alencar
O ex-vice-presidente da República José Alencar morreu na tarde desta terça-feira (29), aos 79 anos, em São Paulo, depois de lutar por mais de 13 anos contra o câncer. A informação foi confirmada pela equipe médica do Hospital Sírio-Libanês.
O ex-vice foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta segunda-feira (28), com um quadro de suboclusão intestinal, em "condições críticas". Ele havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal. Nos mais de 13 anos em que lutou contra o câncer, Alencar foi submetido a 17 cirurgias, perdeu um rim, dois terços do estômago e partes dos intestinos delgado e grosso.
Nascido em 17 de outubro de 1931, José Alencar foi o 11º filho de um total de 15 do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. O ex-vice-presidente nasceu em um povoado às margens de Muriaé, no interior de Minas Gerais. Ele era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixou três filhos reconhecidos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.
Alencar disputou e venceu ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva as campanhas eleitorais à Presidência da República em 2002 e em 2006. No final do ano passado, foi internado com urgência após uma nova hemorragia abdominal provocada pelo tumor no intestino. Os médicos contiveram o sangramento, mas não puderam retirar os tecidos comprometidos pela doença, impedindo o político mineiro de se despedir do cargo em Brasília e de participar da posse da presidente Dilma Rousseff.
De dezembro até os primeiros meses de 2011, o ex-vice voltou a ser internado diversas vezes, sempre em situação muito grave (veja histórico abaixo). Cirurgias foram descartadas nas últimas internações devido ao estado delicado de sua saúde.
Eleições 2010
Em novembro de 2009, Alencar garantiu que se a saúde permitisse seria candidato ao Senado. No início do ano passado, cogitou tentar o governo de Minas Gerais. Porém, em abril, afirmou que não disputaria cargos por estar em tratamento de quimioterapia contra o câncer.
"Decidi não me candidatar a nada. Vou cumprir o meu mandato até o último dia, se Deus quiser, e descer a rampa da mesma forma que subi. Subi a rampa com ele [Lula], vou descer com ele. Ele também não se afastou, vamos juntos", disse na ocasião. Proibido pelos médicos, ficou no hospital enquanto Dilma e seu sucessor, Michel Temer, recebiam o cargo no Palácio do Planalto.
Homenagem no aniversário de São Paulo
Em 25 de janeiro de 2011, quando a capital paulista completou 457 anos, Alencar recebeu a Medalha 25 de Janeiro, uma homenagem da prefeitura, das mãos da presidente Dilma Rousseff.
Visivelmente emocionado, Alencar afirmou que fazia um discurso "de coração" e que está "vencendo as dificuldades". "Eu tinha um texto preparado no bolso, mas resolvi falar do coração. Ainda que (as dificuldades) sejam fortes, estamos vencendo. Quem fica num hospital esse tempo (90 dias, segundo seus cálculos), tem muitas reflexões... Se eu morrer agora, é um privilégio, porque é tanta gente torcendo por mim... Se eu morrer agora, tá bom demais", disse. O evento contou com a presença do ex-presidente Lula.
Declaração PCdoB
Em declaração ao Vermelho, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, disse que o partido sente a morte do ex-vice-presidente da República. “José Alencar foi um aliado importante para as vitórias de 2002 e de 2006, e teve um papel destacado no novo ciclo político inaugurado por Lula”.
Renato afirmou que o ex-vice-presidente era um grande patriota e uma liderança comprometida com os interesses da nação. “Ele entendia também os problemas vitais do povo, já que havia tido uma origem humilde e se tornou um grande empresário”.
O presidente nacional do PCdoB ressaltou que na política macroeconômica, Alencar sempre procurou alternativas para os juros altos e enfrentava com brilho e argumentos esse debate. “Ele dizia que a alta significava uma grande transferência de renda para um pequeno grupo que se beneficiava dessa agiotagem dos juros elevados”
Rabelo lembrou que durante sua última visita a José de Alencar, realizada há pouco mais de um mês, o ex-vice-presidente demonstrou muita persistência pela vida e atenção pelas questões que envolviam o país. “O PCdoB sente a morte de José Alencar, por seu papel na história recente do Brasil e pela relação de amizade com o nosso Partido”.
Da redação, com informações do Portal Terra e Uol Notícias
O ex-vice foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta segunda-feira (28), com um quadro de suboclusão intestinal, em "condições críticas". Ele havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal. Nos mais de 13 anos em que lutou contra o câncer, Alencar foi submetido a 17 cirurgias, perdeu um rim, dois terços do estômago e partes dos intestinos delgado e grosso.
Nascido em 17 de outubro de 1931, José Alencar foi o 11º filho de um total de 15 do casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva. O ex-vice-presidente nasceu em um povoado às margens de Muriaé, no interior de Minas Gerais. Ele era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixou três filhos reconhecidos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.
Alencar disputou e venceu ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva as campanhas eleitorais à Presidência da República em 2002 e em 2006. No final do ano passado, foi internado com urgência após uma nova hemorragia abdominal provocada pelo tumor no intestino. Os médicos contiveram o sangramento, mas não puderam retirar os tecidos comprometidos pela doença, impedindo o político mineiro de se despedir do cargo em Brasília e de participar da posse da presidente Dilma Rousseff.
De dezembro até os primeiros meses de 2011, o ex-vice voltou a ser internado diversas vezes, sempre em situação muito grave (veja histórico abaixo). Cirurgias foram descartadas nas últimas internações devido ao estado delicado de sua saúde.
Eleições 2010
Em novembro de 2009, Alencar garantiu que se a saúde permitisse seria candidato ao Senado. No início do ano passado, cogitou tentar o governo de Minas Gerais. Porém, em abril, afirmou que não disputaria cargos por estar em tratamento de quimioterapia contra o câncer.
"Decidi não me candidatar a nada. Vou cumprir o meu mandato até o último dia, se Deus quiser, e descer a rampa da mesma forma que subi. Subi a rampa com ele [Lula], vou descer com ele. Ele também não se afastou, vamos juntos", disse na ocasião. Proibido pelos médicos, ficou no hospital enquanto Dilma e seu sucessor, Michel Temer, recebiam o cargo no Palácio do Planalto.
Homenagem no aniversário de São Paulo
Em 25 de janeiro de 2011, quando a capital paulista completou 457 anos, Alencar recebeu a Medalha 25 de Janeiro, uma homenagem da prefeitura, das mãos da presidente Dilma Rousseff.
Visivelmente emocionado, Alencar afirmou que fazia um discurso "de coração" e que está "vencendo as dificuldades". "Eu tinha um texto preparado no bolso, mas resolvi falar do coração. Ainda que (as dificuldades) sejam fortes, estamos vencendo. Quem fica num hospital esse tempo (90 dias, segundo seus cálculos), tem muitas reflexões... Se eu morrer agora, é um privilégio, porque é tanta gente torcendo por mim... Se eu morrer agora, tá bom demais", disse. O evento contou com a presença do ex-presidente Lula.
Declaração PCdoB
Em declaração ao Vermelho, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, disse que o partido sente a morte do ex-vice-presidente da República. “José Alencar foi um aliado importante para as vitórias de 2002 e de 2006, e teve um papel destacado no novo ciclo político inaugurado por Lula”.
Renato afirmou que o ex-vice-presidente era um grande patriota e uma liderança comprometida com os interesses da nação. “Ele entendia também os problemas vitais do povo, já que havia tido uma origem humilde e se tornou um grande empresário”.
O presidente nacional do PCdoB ressaltou que na política macroeconômica, Alencar sempre procurou alternativas para os juros altos e enfrentava com brilho e argumentos esse debate. “Ele dizia que a alta significava uma grande transferência de renda para um pequeno grupo que se beneficiava dessa agiotagem dos juros elevados”
Rabelo lembrou que durante sua última visita a José de Alencar, realizada há pouco mais de um mês, o ex-vice-presidente demonstrou muita persistência pela vida e atenção pelas questões que envolviam o país. “O PCdoB sente a morte de José Alencar, por seu papel na história recente do Brasil e pela relação de amizade com o nosso Partido”.
Da redação, com informações do Portal Terra e Uol Notícias
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Sem surpresas, debate na Rede TV! favorece Dilma
Quem esperava pelo “confronto duro” anunciado pela grande mídia se frustrou. De bloco a bloco, o segundo debate televisivo entre Dilma Rousseff e José Serra, neste segundo turno das eleições presidenciais, lembrou mais o poema de Mário de Andrade e, sem surpresas, foi “sempre um cauteloso pouco-a-pouco”.
Por André Cintra
Promovido pela Rede TV! e pelo jornal Folha de S.Paulo, na noite deste domingo (17), em Osasco (SP), o encontro acabou por beneficiar Dilma – sobretudo por ter acrescentado pouco à campanha. A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando não foi tão contundente como no debate anterior, na TV Bandeirantes, uma semana atrás – mas tampouco Serra brilhou.
Por insistência de Dilma, o tema que dominou o embate deste domingo foi o das privatizações. A candidata lembrou o legado privatista dos oito anos de governo FHC (1995-2002) e da gestão de Serra como governador de São Paulo (2007-2010). Quando, por exemplo, a estatal paulista Gás Brasiliano estava prestes a ser vendida para a Petrobras, Serra interveio para privilegiar concorrentes estrangeiras.
“Fala-se de um jeito. Agora, age-se de outro”, disse Dilma sobre um Serra que tentou encarnar a persona de defensor histórico da Petrobras, desde quando “a empresa era adolescente”. O tucano chegou a afirmar que “o governo Lula a Dilma fizeram mais concessões a empresas privadas do que o Fernando Henrique”, mas Serra não justificou tamanho despautério. Teve de justificar, sim, a acusação de Dilma segundo a qual o governo FHC queria rebatizar a Petrobras “no intuito de agradar o mercado internacional para captar dinheiro”.
Serra variou os temas, ainda que suas perguntas partissem invariavelmente da falsa premissa de que o Brasil está abandonado pelo governo federal. Suas perguntas a Dilma questionaram a atuação do governo Lula em saúde, educação, segurança, infraestrutura e combate às drogas, entre outros temas. Nas respostas, réplicas e tréplicas foi que a tática serrista não se alterou. O presidenciável tucano, sob orientação do marqueteito Luiz Gonzales, formatou suas intervenções de olho na propaganda eleitoral – o que colaborou, e muito, para a monotonia do debate.
Calculando até demais certas palavras, Serra não se cansou de repetir slogans, mantras e promessas de sua campanha no rádio e na televisão. Soou como mais do mesmo – um saldo desfavorável para quem está atrás nas pesquisas de intenções de voto. Serra também reclamou que Dilma “só fala de São Paulo”, como se fosse “candidata a governadora”.
Foi a forma de o tucano dizer que evitaria discutir a aprovação automática, a Cracolândia, o PCC e outros cânceres alastrados nos sucessivos governos do PSDB no estado. “O esporte preferido do PT é falar mal de São Paulo”, dissimulou o Serra. “Não, eu tenho admiração pelo povo paulista, que é um povo trabalhador”, respondeu Dilma. “Não confunda a inteligência do povo paulista com as falhas do seu governo.”
Projetos distintos
Já Dilma, com dados a mão, empenhou-se em demarcar diferenças entre os governos de Lula e de FHC. Foi assim quando abordou assuntos mais específicos, como construção de escolas técnicas, investimentos em segurança pública (sobretudo na Polícia Federal) e tratamento a viciados em drogas.
Neste último ponto, coube uma ironia: ao recordar que a política de Serra para tratar usuários de crack atendia a, no máximo, 300 pessoas por vez, Dilma estimou que “vai levar um século” para o PSDB “resolver o problema”. E emendou: “A característica principal do candidato Serra é fazer programa piloto – poucos para poucos”.
Com as perguntas de jornalista para candidato, Serra teve seu momento mais constrangedor no debate. No mesmo bloco em que Dilma manifestou sua “indignação” com as contratações de parentes efetuadas pela ex-ministra Erenice Guerra na Casa Civil, o candidato do PSDB à Presidência teve de encarar o fantasma do engenheiro Paulo Vieira Souza, ex-diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) em São Paulo. Conhecido como Paulo Preto, Vieira é acusado de ter sumido com R$ 4 milhões de dinheiro arrecadado para a campanha presidencial tucana.
“Seu partido critica o governo Lula por não saber do mensalão. Agora surge no noticiário um personagem chamado Paulo Preto. O senhor disse que não conhecia ele e depois disse que o conhecia”, recordou a jornalista Renata Lo Prete, da Folha. “Hoje foi publicado que o senhor empregou uma filha dele em seu governo. Candidato, o senhor sabia disso?”
Serra, engasgado, nada falou sobre a contratação da filha e negou a acusação de no caixa 2 da campanha. O candidato, porém, admitiu não ter controle sobre seus comandados: “Eu não soube (de reclamações sobre Paulo Preto), nunca vieram reclamar”, declarou. Denúncias contra o ex-diretor da Dersa, no entanto, são públicas e notórias desde maio, com as revelações da Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Polícia Federal.
Nas considerações finais, Serra, autoproclamando-se “um servidor público”, enalteceu suas origens pobres e a “escola pública”, entre outros clichês. Dilma aproveitou para enfatizar o principal trunfo de sua candidatura. “Tenho a honra de ser apoiada e estar no mesmo do projeto que o maior presidente que este país já teve, que foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, finalizou a candidata.
Segundo dados preliminares do Ibope, o debate na Rede TV! chegou a registrar sete pontos de audiência na Grande São Paulo – ou cerca de 392 mil domicílios. Mas a audiência média foi de modestos 4,3 pontos. Até a realização do segundo turno, haverá pelo menos mais um tête-à-tête entre os candidatos. Será no dia 29 deste mês, a dois dias da eleição, na sempre suspeita TV Globo.
Por André Cintra
Promovido pela Rede TV! e pelo jornal Folha de S.Paulo, na noite deste domingo (17), em Osasco (SP), o encontro acabou por beneficiar Dilma – sobretudo por ter acrescentado pouco à campanha. A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando não foi tão contundente como no debate anterior, na TV Bandeirantes, uma semana atrás – mas tampouco Serra brilhou.
Por insistência de Dilma, o tema que dominou o embate deste domingo foi o das privatizações. A candidata lembrou o legado privatista dos oito anos de governo FHC (1995-2002) e da gestão de Serra como governador de São Paulo (2007-2010). Quando, por exemplo, a estatal paulista Gás Brasiliano estava prestes a ser vendida para a Petrobras, Serra interveio para privilegiar concorrentes estrangeiras.
“Fala-se de um jeito. Agora, age-se de outro”, disse Dilma sobre um Serra que tentou encarnar a persona de defensor histórico da Petrobras, desde quando “a empresa era adolescente”. O tucano chegou a afirmar que “o governo Lula a Dilma fizeram mais concessões a empresas privadas do que o Fernando Henrique”, mas Serra não justificou tamanho despautério. Teve de justificar, sim, a acusação de Dilma segundo a qual o governo FHC queria rebatizar a Petrobras “no intuito de agradar o mercado internacional para captar dinheiro”.
Serra variou os temas, ainda que suas perguntas partissem invariavelmente da falsa premissa de que o Brasil está abandonado pelo governo federal. Suas perguntas a Dilma questionaram a atuação do governo Lula em saúde, educação, segurança, infraestrutura e combate às drogas, entre outros temas. Nas respostas, réplicas e tréplicas foi que a tática serrista não se alterou. O presidenciável tucano, sob orientação do marqueteito Luiz Gonzales, formatou suas intervenções de olho na propaganda eleitoral – o que colaborou, e muito, para a monotonia do debate.
Calculando até demais certas palavras, Serra não se cansou de repetir slogans, mantras e promessas de sua campanha no rádio e na televisão. Soou como mais do mesmo – um saldo desfavorável para quem está atrás nas pesquisas de intenções de voto. Serra também reclamou que Dilma “só fala de São Paulo”, como se fosse “candidata a governadora”.
Foi a forma de o tucano dizer que evitaria discutir a aprovação automática, a Cracolândia, o PCC e outros cânceres alastrados nos sucessivos governos do PSDB no estado. “O esporte preferido do PT é falar mal de São Paulo”, dissimulou o Serra. “Não, eu tenho admiração pelo povo paulista, que é um povo trabalhador”, respondeu Dilma. “Não confunda a inteligência do povo paulista com as falhas do seu governo.”
Projetos distintos
Já Dilma, com dados a mão, empenhou-se em demarcar diferenças entre os governos de Lula e de FHC. Foi assim quando abordou assuntos mais específicos, como construção de escolas técnicas, investimentos em segurança pública (sobretudo na Polícia Federal) e tratamento a viciados em drogas.
Neste último ponto, coube uma ironia: ao recordar que a política de Serra para tratar usuários de crack atendia a, no máximo, 300 pessoas por vez, Dilma estimou que “vai levar um século” para o PSDB “resolver o problema”. E emendou: “A característica principal do candidato Serra é fazer programa piloto – poucos para poucos”.
Com as perguntas de jornalista para candidato, Serra teve seu momento mais constrangedor no debate. No mesmo bloco em que Dilma manifestou sua “indignação” com as contratações de parentes efetuadas pela ex-ministra Erenice Guerra na Casa Civil, o candidato do PSDB à Presidência teve de encarar o fantasma do engenheiro Paulo Vieira Souza, ex-diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) em São Paulo. Conhecido como Paulo Preto, Vieira é acusado de ter sumido com R$ 4 milhões de dinheiro arrecadado para a campanha presidencial tucana.
“Seu partido critica o governo Lula por não saber do mensalão. Agora surge no noticiário um personagem chamado Paulo Preto. O senhor disse que não conhecia ele e depois disse que o conhecia”, recordou a jornalista Renata Lo Prete, da Folha. “Hoje foi publicado que o senhor empregou uma filha dele em seu governo. Candidato, o senhor sabia disso?”
Serra, engasgado, nada falou sobre a contratação da filha e negou a acusação de no caixa 2 da campanha. O candidato, porém, admitiu não ter controle sobre seus comandados: “Eu não soube (de reclamações sobre Paulo Preto), nunca vieram reclamar”, declarou. Denúncias contra o ex-diretor da Dersa, no entanto, são públicas e notórias desde maio, com as revelações da Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Polícia Federal.
Nas considerações finais, Serra, autoproclamando-se “um servidor público”, enalteceu suas origens pobres e a “escola pública”, entre outros clichês. Dilma aproveitou para enfatizar o principal trunfo de sua candidatura. “Tenho a honra de ser apoiada e estar no mesmo do projeto que o maior presidente que este país já teve, que foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, finalizou a candidata.
Segundo dados preliminares do Ibope, o debate na Rede TV! chegou a registrar sete pontos de audiência na Grande São Paulo – ou cerca de 392 mil domicílios. Mas a audiência média foi de modestos 4,3 pontos. Até a realização do segundo turno, haverá pelo menos mais um tête-à-tête entre os candidatos. Será no dia 29 deste mês, a dois dias da eleição, na sempre suspeita TV Globo.
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